27/11/2016

Na contramão da crise, compra de passagens aéreas cresce nas classes C, D e E

Na contramão da crise, compra de passagens aéreas cresce nas classes C, D e E

As raízes do vendedor de milho Luis Antônio da Silva, de 50 anos, estão a 2.500 quilômetros de sua casa, em Parada de Lucas, na Zona Norte. Há 27 anos, desde que se mudou para o Rio em busca de um emprego, a viagem para sua terra natal, no Rio Grande do Norte, era feita de ônibus: dois dias e meio para ir, mais dois e meio para voltar. Mas a peregrinação ganhou contornos mais sofisticados em 2014, quando ele descobriu que o avião não era um bicho de sete cabeças, tornando-se uma opção até mais em conta do que o transporte rodoviário usado até então.

— Antigamente, eu passava três dias na estrada. Gastava mais R$ 200, além da passagem, em refeições e banhos no caminho — explicou Luis Antônio.

A última viagem da família foi em junho deste ano, quando a passagem de ônibus custava R$ 480, segundo o vendedor. Ele, então, comprou a de avião por R$ 360. Mas não é apenas o custo menor que tem atraído um contingente expressivo (mais de 350 mil passageiros) das classes C, D e E para os aeroportos. Agências especializadas em vendas de passagens aéreas para o público de pequeno poder aquisitivo identificaram um filão pouco explorado. Em vez de pedir o pagamento com cartão de crédito (muitos não o têm), elas oferecem a compra por carnês. As parcelas devem ser pagas até a data da viagem, e não há consulta de crédito. Somente em 2016, no Rio, foram R$ 3 milhões em negócios fechados, em mais de cem pontos de vendas localizados em áreas como Parada de Lucas, Gardênia Azul, Parque União e Rocinha.

— Essa venda com carnê, única no mercado, é feita em várias vezes sem juros. Antes, as pessoas achavam que não tinham condições, mas descobriram um modelo de venda programada. Você viaja sem dívidas — observou Celso Athayde, fundador da Central Única das Favelas.

O negócio andou na contramão da crise. De acordo com a pesquisa Sondagem do Consumidor, do Ministério do Turismo, dos brasileiros com renda de até R$ 2.100 que querem viajar, 40% o farão de avião, em comparação com 32,3% em 2015.

— Pessoas com renda mais alta cortaram as viagens como supérfluos. O público de baixa renda é de migrantes e tem como prioridade a viagem. É uma questão emocional — disse Luiz Andreaza, diretor geral da agência Vai Voando.

Franquia aberta em casa

Antes de fazer sua primeira viagem de avião, o casal Selma, de 41 anos, e Anderson Barcelos, de 40, começaram a vender passagens aéreas, em Parada de Lucas. Eles abriram em casa uma franquia da agência, derrubando parte da sala de visitas. Há dois anos, não tinham sequer impressora, e os bilhetes eram impressos em lan houses.

— Como não sabíamos como seriam os embarques dos clientes, ficávamos ansiosos, como se fossem nossos filhos viajando, e pedíamos para que nos ligassem para dizer que chegaram bem — contou Selma.

O casal vende, em média, 20 bilhetes por mês, com um tíquete médio de R$ 750. O parcelamento pode ser feito em até 12 vezes, mas os clientes preferem pagar em seis. O negócio deu tão certo que eles agora oferecem até traslado para o aeroporto.

Veja completo: https://oglobo.globo.com/economia/na-contramao-da-crise-compra-de-passagens-aereas-cresce-nas-classes-d-e-20545959

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